Condições e Organização do Trabalho de Agentes Penitenciários e os Riscos Psicossociais Inerentes a Profissão

DINIZ, Manuela
CORREIA, Deyse

Resumo

A higiene ocupacional atua na identificação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais presentes no espaço laboral, objetivando a promoção de um ambiente saudável e seguro. Os riscos psicossociais, por sua vez, são importantes fatores que precisam ser igualmente avaliados, uma vez que as repercussões negativas desses riscos sobre a saúde física e mental dos trabalhadores também trazem prejuízos. A profissão do agente penitenciário, por sua vez, está exposta aos diversos riscos, dentre eles, os psicossociais, sendo assim, esse estudo tem como objetivo: analisar a relação existente entre as condições e organização do trabalho de agentes penitenciários e os riscos psicossociais inerentes a esta atividade ocupacional. Com relação à metodologia, o estudo teve um caráter descritivo, exploratório, transversal, com abordagem qualiquantitativa. Para tanto, foram feitos estudos teóricos a fim de embasar e dar suporte as análises dos dados resultantes da aplicação de questionários eletrônicos realizados com 27 agentes penitenciários que trabalham em diferentes cidades do estado da Paraíba. As questões faziam menção ao perfil profissional dos trabalhadores; às condições e organização de trabalho e por fim, questionavam acerca dos principais sintomas físicos e psicológicos sentidos e associados ao trabalho. Como resultado dos questionários, observa-se que 77,8% dos agentes interrogados encontram-se na faixa etária de 30 a 39 anos; 66,7% são homens; 51,9% são solteiros; e, 63% possuem ensino superior completo. No que diz respeito às condições e organização do trabalho dos agentes penitenciários, destacam-se que a forma com que realizam suas atividades é totalmente manual; e, há a prevalência de turnos fixos na jornada de trabalho, distribuídos em turnos de 24 horas, com a ocorrência de pausas no trabalho. Além disso, quanto as condições que consideram insatisfatórias, evidenciam-se: remuneração (59,3%), plano de carreira (92,6%), valorização profissional (88,9%) e abertura para o diálogo (77,8%). No que se refere às questões psicossociais mais apontadas pelos agentes, identificam-se: sentem-se pressionados (66,7%); em conflito com os presos (74,1%); sentem-se presos (63%); insatisfeitos com as tarefas de trabalho (55,6%); sentem-se inseguros (92,6%); e, sem reconhecimento (96,3%). Por fim, dentre os sintomas que os agentes penitenciários associaram às condições e organização do trabalho, chamam atenção: sensação de desgaste físico constante (85,2%) e irritabilidade excessiva (74,1%). Como conclusão, compreende-se que as condições e organização do trabalho de agente penitenciário na Paraíba estão associadas ao desenvolvimento de sintomas físicos e psíquicos que repercutem na qualidade de vida e trabalho desses profissionais, tornando-se necessária atenção e adoção de medidas de intervenção precisas.

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