Uma análise das dimensões cognitivas e sociais no processo de aprendizagem imersiva

Brito, Samara da Silva

Resumo

Esta dissertação analisa os efeitos da imersão em ambientes virtuais de aprendizagem sobre dimensões cognitivas e sociais, à luz de teorias construtivistas e colaborativas. O objetivo geral foi investigar e comparar os níveis de atenção visual, carga cognitiva e presença social em contextos imersivos e não imersivos. Trata-se de uma pesquisa de abordagem mista, estruturada em cinco etapas: mapeamento sistemático da literatura, benchmark de ambientes virtuais, experimento empírico, análise estatística e discussão integrada dos resultados. Participaram 48 estudantes, graduandos ou graduados, alocados aleatoriamente em grupos imersivo (VR) e não imersivo (computador), submetidos a tarefas padronizadas em dois ambientes educacionais distintos: Escape Simulator, ambiente que utiliza aprendizagem ativa para abordar temas interdisciplinares, e NetVerse Edu, um ambiente de aprendizagem com propósito específico integrado ao currículo de um curso. A atenção visual foi avaliada por meio de tempos de manipulação e execução de tarefas, analisados com os testes de Shapiro-Wilk e de Welch. A carga cognitiva foi mensurada com o questionário NASA-TLX, cujos dados foram analisados pelo teste de Mann-Whitney, considerando os valores ponderados. A presença social foi avaliada por meio de questionário com respostas dicotômicas, analisado por correlação de Spearman. A discussão dos resultados, com base em uma análise quantitativa, revela que a imersão impacta de forma relevante a atenção visual, a carga de trabalho cognitiva e a presença social. No Escape Simulator imersivo, caracterizado pela resolução coletiva dos desafios dentro do ambiente, observaram-se índices mais elevados de atenção visual, tanto no tempo de atividade específica quanto no tempo total, bem como maiores níveis de carga cognitiva nas dimensões demanda física e sofrimento, além de correlações estatisticamente significativas relacionadas à presença social. Em contrapartida, no NetVerse Edu, o grupo imersivo não apresentou resultado significativo no que se refere à presença social, possivelmente em função do caráter mais individualizado das atividades, mas exibiu níveis mais elevados de atenção visual no tempo de atividade específica e no tempo total, assim como maiores níveis de esforço e satisfação relacionados à carga cognitiva, sugerindo que a imersão pode potencializar aspectos da experiência de aprendizagem. Conclui-se que a efetividade do uso de tecnologias imersivas na educação relaciona-se ao alinhamento entre as características do ambiente — como a proximidade entre os participantes, a visualização compartilhada das ações dos avatares e a resolução conjunta das atividades —, o contexto de aplicação e o perfil dos aprendizes. As evidências obtidas oferecem uma contribuição relevante para instituições de ensino, desenvolvedores de plataformas educacionais e profissionais envolvidos na concepção e implementação de experiências digitais de aprendizagem mais significativas e eficazes.

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