Inserção no mercado de trabalho através do Programa Jovem Aprendiz: uma análise na perspectiva dos aprendizes, entidade formadora e empresa contratante
Nascimento, Matheus Lima
Resumo
O presente estudo tem como objetivo analisar o processo de inserção de jovens no mercado de trabalho por meio do Programa Jovem Aprendiz no município de João Pessoa (PB), a partir das percepções dos aprendizes, entidade formadora e empresa contratante. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa de natureza aplicada e exploratória, com abordagem de métodos mistos. Utilizou-se uma amostragem não probabilística intencional, contando com a participação de 30 jovens aprendizes, que responderam a um formulário estruturado, além de um representante da entidade formadora e dois da empresa contratante, que participaram de entrevistas semiestruturadas. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e análise de conteúdo. Os principais resultados obtidos indicam que o programa atua como uma estratégia fundamental de inclusão produtiva, principalmente para jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica, auxiliando na superação da barreira da inexperiência. Embora enfrentem desafios iniciais, como insegurança, problemas de comunicação e adaptação ao ambiente organizacional, os aprendizes apresentam expressivo desenvolvimento de competências comportamentais (soft skills), como comunicação, responsabilidade e trabalho em equipe. Notou-se também que a empresa desempenha um papel essencial no processo de adaptação do jovem, porém foram identificadas limitações na execução do programa, com destaque para a frequente desconexão entre os conteúdos teóricos ensinados pelas entidades formadoras e as atividades práticas desenvolvidas no ambiente de trabalho, além de falhas na comunicação entre esses atores. Em conclusão, a experiência como Jovem Aprendiz proporciona uma vantagem competitiva na construção do currículo e impacta positivamente as expectativas de futuro profissional. Para que o programa alcance seu pleno potencial, é indispensável que as empresas e as entidades formadoras trabalhem de forma integrada, superando o mero cumprimento burocrático de cotas e consolidando a aprendizagem profissional como uma política efetiva de desenvolvimento humano e inclusão juvenil.
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