Ultraprocessados e nova rotulagem nos alimentos: percepções e impactos no consumo em João Pessoa/PB
Pereira, Mariana Souza Sepúlveda
Resumo
Alimentos ultraprocessados são aqueles industrializados ou sintetizados que incorporam aditivos químicos (corantes, aromatizantes, conservantes e emulsificantes), óleos refinados, amidos modificados, açúcares e adoçantes, usados para aumentar o prazo de validade, melhorar a aparência, o sabor e/ou a textura, restando pouca ou nenhuma presença do alimento in natura. Englobam refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e cereais açucarados, refeições e preparações prontas para consumo ou reaquecimento (pizzas, nuggets, miojo, etc). Apesar de tentadores ao paladar, geralmente apresentam elevados teores de açúcar adicionado, gordura e/ou sal (sódio), ao mesmo tempo em que são pobres em vitaminas e fibras. Tendo em vista o aumento do consumo desses produtos entre a populaçao e a associação com doenças, tais como: obesidade, diabetes tipo II, pressão alta, câncer e outras doenças crônicas, políticas públicas governamentais da Anvisa (Resolução RDC nº 429/2020 e IN nº 75/2020) passaram a obrigar os fabricantes a mudar as embalagens. Desde 2020, os alimentos ultraprocessados devem incluir a rotulagem nutricional frontal, uma “lupa” que destaca altos teores de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio, de modo a informar o consumidor sobre o que está comprando e ingerindo (Brasil, 2020). Diante disso, esta pesquisa buscou analisar a percepção de consumidores de João Pessoa sobre a nova rotulagem de alimentos ultraprocessados e os impactos do consumo para a saúde. Para tanto, foi aplicado um questionário online a 325 consumidores de João Pessoa/PB, selecionados por conveniência, durante o mês de abril de 2026. Os resultados da análise quantitativa sugerem que a maioria dos participantes percebeu os novos selos nutricionais frontais e reconhece sua importância, pois parte significativa dos respondentes afirmou ter reduzido o consumo de determinados produtos ultraprocessados, passado a observar mais atentamente os rótulos e buscado alternativas consideradas mais saudáveis. Entretanto, fatores como sabor, praticidade, conveniência, rotina acelerada e preço continuam exercendo forte influência sobre as decisões de compra. A interpretação qualitativa das respostas às perguntas abertas, corrobora os resultados e resultou em 5 categorias de análise: Reconhecimento da Necessidade de Mudança, Falta de Tempo e Busca por Praticidade, Consciência dos Riscos Associados ao Consumo, Educação Alimentar e Conscientização. Verificou-se que, embora os participantes relatem histórico de ocorrência de doenças crônicas (como hipertensão, diabetes e obesidade) entre seus familiares e declarem ter elevado nível de conhecimento sobre os riscos associados ao consumo excessivo de açúcar, sódio e gorduras, observou-se que os alimentos ultraprocessados permanecem presentes de forma frequente em sua alimentação, evidenciando a complexidade do comportamento do consumidor e a necessidade de ações complementares às estratégias de rotulagem. Disso conclui-se que a nova rotulagem nutricional frontal representa uma importante ferramenta de promoção da saúde e conscientização do consumidor, contribuindo para escolhas mais conscientes. Contudo, considera-se que sua efetividade tenderia a ser ampliada quando associada a ações de educação alimentar, incentivo ao consumo de alimentos in natura e políticas públicas que subsidiem o acesso a opções alimentares mais saudáveis.
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