Equidade de gênero e cultura organizacional: o "lugar" das mulheres em uma empresa transportadora

Lima, Natalia Cristine Felix

Resumo

A equidade de gênero tem se tornado um tema cada vez mais relevante nas discussões organizacionais, especialmente em setores historicamente marcados pela predominância masculina e por traços patriarcais, como, por exemplo, nos segmentos de transporte e logística. Apesar dos avanços relacionados à inserção feminina no mercado de trabalho, ainda persistem desafios relacionados ao reconhecimento profissional, às oportunidades de crescimento e à ocupação em cargos de liderança. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo compreender a equidade de gênero no cenário da cultura organizacional de uma transportadora localizada na grande João Pessoa-PB. Quanto aos procedimentos metodológicos, a pesquisa caracteriza-se como aplicada, de abordagem qualitativa e de natureza exploratória e descritiva. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas aplicadas a cinco colaboradoras do setor administrativo da organização investigada. Para garantir o anonimato das participantes, foram adotados pseudônimos representados por nomes de flores: Margarida, Orquídea, Rosa, Tulipa e Jasmim. Os dados obtidos foram transcritos e analisados por meio da técnica de Análise de Conteúdo, conforme as etapas propostas por Bardin (2016). Os resultados evidenciaram a existência de barreiras culturais e estruturais relacionadas à equidade de gênero, destacando-se a resistência à autoridade feminina, naturalização de comportamentos machistas, a desigualdade de reconhecimento profissional, a segregação ocupacional e a ausência de políticas organizacionais específicas voltadas à promoção da equidade. Em relação às perspectivas de ascensão profissional, as entrevistadas relataram que as oportunidades de crescimento não são percebidas como igualmente acessíveis entre homens e mulheres, apontando limitações relacionadas à valorização profissional, ao reconhecimento financeiro e à ocupação de cargos de liderança. Quanto às práticas organizacionais, observouse que as iniciativas existentes são consideradas insuficientes para promover mudanças efetivas na realidade vivenciada pelas colaboradoras. Conclui-se que a equidade de gênero na organização investigada ainda se encontra em processo de construção, sendo influenciada por fatores culturais e estruturais que limitam a plena participação e valorização das mulheres. Dessa forma, torna-se necessário a adoção de práticas organizações mais efetivas, capazes de promover inclusão, reconhecimento e oportunidades equitativas de desenvolvimento profissional.

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