O efeito adição da fibra da folha da carnaúba (copernícia prunífera) como reforço em argamassas de revestimento
Virginio, Itamira Raquel Santos
Resumo
O aproveitamento de fibras vegetais como material de engenharia em substituição a materiais produzidos artificialmente é uma abordagem que tem sido usada para superar as questões ambientais relacionadas à geração de resíduos e ao uso de matérias-primas renováveis. No campo da construção civil as fibras vegetais podem ser utilizadas como reforço de materiais cimentícios para melhorar propriedades como a tenacidade e ductilidade, no entanto, a aplicação das fibras para este fim encontra limitações associadas à heterogeneidade, à alta hidrofilicidade e à instabilidade da fibra quando submetida ao meio alcalino. A Carnaúba é uma palmeira nativa da região Nordeste do Brasil, objeto de pesquisas em diversas áreas, todavia, sua aplicação em materiais cimentícios ainda é pouco explorada na literatura. Nesse estudo investigou-se o efeito da adição da fibra da folha da carnaúba como reforço para argamassas de revestimento, variando o teor de fibras e a aplicação de pré-tratamento alcalino com solução de CaOH2. As fibras foram caracterizadas quanto aos aspectos físicos, térmicos e mecânicos, também foram realizas análises de FTIR e DRX. As fibras foram adicionadas à argamassas de cimento e areia com proporção de 1:3 em massa, no teores de 0,5%, 1,0% e 1,5%. Foi realizada a caracterização dos compósitos obtidos no seu estado fresco e no estado endurecido utilizando como parâmetros os ensaios estabelecidos na norma NBR 13281/2023. Os resultados indicaram que a adição de fibras reduziu a fluidez das argamassas e favoreceu a coesão das misturas. A resistência à tração na flexão e à compressão mantiverem os valores semelhantes aos encontrados para a argamassa de referência, reduziram o módulo de elasticidade, indicando que as fibras atuam melhorando a capacidade absorver as deformações sem que ocorra a ruptura do material. Verificou-se que as argamassas com adição de fibras apresentaram valores de retração inferiores à argamassa de referência e ao limite máximo de 0,8mm/m estabelecido pela norma brasileira, com exceção da argamassa com fibras não tratada no teor de 1,5%. Quanto à avaliação da resistência à aderência superficial, para o mesmo teor de fibras, a argamassa com fibras tratadas apresentou resultado superior quando comparada à argamassa com fibra não tratada e à argamassa de referência
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