Etarismo e educação física: apontamentos da licenciatura

Medeiros, Rafhaelly Vitória Barbosa

Resumo

O etarismo, também denominado idadismo, é um fenômeno social caracterizado por estereótipos, preconceitos e discriminações baseadas na idade. Esse tipo de discriminação está presente em diferentes espaços sociais, inclusive no ambiente acadêmico, onde a universidade ainda é muitas vezes associada exclusivamente à juventude. Na área da Educação Física, em que o corpo e a performance ocupam lugar central, tais preconceitos podem se intensificar, influenciando relações entre estudantes e professores. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar a presença do etarismo entre docentes e discentes do curso de Licenciatura em Educação Física do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) – Campus Sousa, buscando identificar o conhecimento prévio sobre o tema, investigar a ocorrência de situações discriminatórias e apontar estratégias para o enfrentamento desse preconceito no meio acadêmico.A pesquisa caracterizou-se como quanti-qualitativa, exploratória e de natureza fenomenológica. A amostra foi composta por 40 discentes, de ambos os sexos, distribuídos do 3º ao 8º período, e seis docentes. O instrumento utilizado foi um questionário adaptado de Quintana (2023), com 42 questões sobre aspectos pessoais, acadêmicos, culturais, percepções, vivências e a relação entre etarismo e Educação Física. A coleta ocorreu de forma presencial, após aprovação pelo Comitê de Ética do IFPB, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os dados foram analisados de forma quantitativa, por estatística descritiva, e qualitativa, pela técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2009).Os resultados indicaram que a maioria dos estudantes tinha entre 20 e 25 anos, com pequena participação de adultos acima dos 40. O nível de conhecimento sobre etarismo mostrou-se intermediário, sem diferenças significativas entre as turmas. Além disso, 95% dos participantes reconheceram a existência do preconceito etário, embora parte deles apresentasse visões ambíguas sobre a relação entre envelhecimento e capacidade intelectual. Docentes e discentes relataram já ter presenciado ou vivenciado discriminações, geralmente dirigidas a pessoas fora da faixa etária jovem. Apontaram-se ainda dificuldades no uso da tecnologia e a influência da mídia na difusão de padrões corporais que privilegiam a juventude, reforçando estereótipos negativos. Apesar disso, constatou-se consenso em pontos centrais, como a percepção de que a convivência intergeracional é saudável e de que o etarismo deve ser combatido com a mesma seriedade que outros preconceitos. Entre as estratégias sugeridas destacaram-se a criação de políticas acadêmicas, o incentivo a debates e rodas de conversa e a promoção de uma cultura de respeito à diversidade etária. Conclui-se que o etarismo está presente no curso de Licenciatura em Educação Física do IFPB – Campus Sousa, ainda que de forma velada. Docentes e discentes reconhecem a importância de discutir o tema na formação acadêmica. O estudo reforça a necessidade de ampliar as reflexões sobre envelhecimento e discriminação etária no ensino superior, apontando caminhos para práticas pedagógicas inclusivas e para a valorização da convivência entre gerações.

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