Entre a vida no campo e a sala de aula no IFPB: narrativas de estudantes do ensino médio integrado e ritos de passagem
Oliveira, Rozana Batista de
Resumo
Esta pesquisa investiga os desafios enfrentados por estudantes oriundos do campo matriculados no Ensino Médio Integral (EMI) do Instituto Federal da Paraíba - Campus Princesa Isabel. O objetivo é compreender os desafios enfrentados no processo de formação escolar por esses discentes a partir de suas próprias trajetórias de vida. O estudo fundamenta-se teórica e conceitualmente nos princípios da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), no âmbito da formação humana integral, articulados aos debates sobre juventudes rurais e ruralidades. Adotase uma abordagem qualitativa em educação fundamentada no método (auto)biográfico e na pesquisa narrativa. O percurso investigativo envolve a realização de um grupo focal com nove estudantes e entrevistas narrativas aprofundadas com cinco sujeitos/colaboradores, produção de registros fotográficos e do uso do diário de campo. O processo analítico tem por base compreensiva-interpretativa a estruturação das fases dos Ritos de passagem, de Van Gennep (2008). A categorização das travessias formativas ancora-se nas fases de Separação, Margem e Agregação. Os resultados apontam para o que se denominou “geografia do cansaço”, uma dimensão de liminaridade imposta pela precariedade dos transportes, estradas irregulares e privação do sono, demonstrando uma disputa constante entre o tempo exigido para os estudos e a logística da sobrevivência rural. As narrativas mostram que a permanência na instituição transcende o esforço cognitivo, configurando-se como ato de resistência política frente às desigualdades materiais e simbólicas, superadas por meio de táticas cotidianas. Os resultados sinalizam que a agregação ao ambiente do campus promove uma reinvenção subjetiva, contudo, o acesso ao tripé de ensino, pesquisa e extensão são condicionados não apenas pelo trajeto físico ou pelas distâncias geográficas em si, mas pela complexa trama social, corporal e econômica que gravita em torno desse deslocamento diário. Trata-se do peso concreto da “logística da sobrevivência rural”, na qual a viagem diária tensiona os tempos de descanso, trabalho doméstico/agrícola e dedicação aos estudos. Como Produto Educacional (PE), emerge o livro paradidático intitulado “Travessias”, uma obra composta por histórias com traços biográficos, inspiradas nas experiências e nas mobilidades geográficas vividas pelos sujeitos que narraram seus percursos cotidianos do campo à escola. O livro é interdisciplinar, com possibilidades de uso pedagógico voltadas ao contexto da EPT, especialmente no EMI.Esta pesquisa investiga os desafios enfrentados por estudantes oriundos do campo matriculados no Ensino Médio Integral (EMI) do Instituto Federal da Paraíba - Campus Princesa Isabel. O objetivo é compreender os desafios enfrentados no processo de formação escolar por esses discentes a partir de suas próprias trajetórias de vida. O estudo fundamenta-se teórica e conceitualmente nos princípios da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), no âmbito da formação humana integral, articulados aos debates sobre juventudes rurais e ruralidades. Adotase uma abordagem qualitativa em educação fundamentada no método (auto)biográfico e na pesquisa narrativa. O percurso investigativo envolve a realização de um grupo focal com nove estudantes e entrevistas narrativas aprofundadas com cinco sujeitos/colaboradores, produção de registros fotográficos e do uso do diário de campo. O processo analítico tem por base compreensiva-interpretativa a estruturação das fases dos Ritos de passagem, de Van Gennep (2008). A categorização das travessias formativas ancora-se nas fases de Separação, Margem e Agregação. Os resultados apontam para o que se denominou “geografia do cansaço”, uma dimensão de liminaridade imposta pela precariedade dos transportes, estradas irregulares e privação do sono, demonstrando uma disputa constante entre o tempo exigido para os estudos e a logística da sobrevivência rural. As narrativas mostram que a permanência na instituição transcende o esforço cognitivo, configurando-se como ato de resistência política frente às desigualdades materiais e simbólicas, superadas por meio de táticas cotidianas. Os resultados sinalizam que a agregação ao ambiente do campus promove uma reinvenção subjetiva, contudo, o acesso ao tripé de ensino, pesquisa e extensão são condicionados não apenas pelo trajeto físico ou pelas distâncias geográficas em si, mas pela complexa trama social, corporal e econômica que gravita em torno desse deslocamento diário. Trata-se do peso concreto da “logística da sobrevivência rural”, na qual a viagem diária tensiona os tempos de descanso, trabalho doméstico/agrícola e dedicação aos estudos. Como Produto Educacional (PE), emerge o livro paradidático intitulado “Travessias”, uma obra composta por histórias com traços biográficos, inspiradas nas experiências e nas mobilidades geográficas vividas pelos sujeitos que narraram seus percursos cotidianos do campo à escola. O livro é interdisciplinar, com possibilidades de uso pedagógico voltadas ao contexto da EPT, especialmente no EMI.
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