Como a diversidade beta de macroinvertebrados bentônicos pode auxiliar na avaliação ambiental de reservatórios semiáridos?/

Bezerra, Amanda Letícia Florentino Mandú

Resumo

Reservatórios localizados em regiões semiáridas apresentam elevada variabilidade hidrológica e forte heterogeneidade ambiental, condições que influenciam diretamente a estrutura das comunidades bentônicas. Nesse contexto, a diversidade beta emerge como um indicador essencial para compreender como as diferenças ambientais entre reservatórios e períodos sazonais moldam a composição dos macroinvertebrados. Este estudo avaliou os padrões de diversidade beta de macroinvertebrados bentônicos em reservatórios do semiárido, utilizando as métricas LCBD (Local Contribution to Beta Diversity) e SCBD (Species Contribution to Beta Diversity), bem como, sua relação com variáveis físico-químicas da água, composição do sedimento e atributos da paisagem nos períodos seco e chuvoso. As comunidades foram amostradas em 60 pontos, distribuídos entre os quatro reservatórios, e foram identificadas e quantificadas quanto à abundância. A diversidade beta foi analisada com base em índices de Bray-Curtis (abundância) e Jaccard (presença/ausência). As diferenças entre períodos e reservatórios foram avaliadas por PERMANOVA, e relações com variáveis ambientais, por BIOENV. O conjunto de dados mostra que a composição da fauna foi dominada por táxons tolerantes como Oligochaeta, Melanoides tuberculata, com forte variação sazonal. O período seco apresentou maior dissimilaridade entre reservatórios, indicando aumento da diversidade beta, enquanto a estação chuvosa evidenciou homogeneização da comunidade. Os valores de SCBD destacaram Ablabesmyia, Oligochaeta, M.tuberculata, Ceratopogonidae e Chaoborus como principais contribuintes para a variação composicional entre os ambientes. Por outro lado, o LCBD não apresentou diferenças significativas entre períodos ou reservatórios, sugerindo estabilidade na singularidade biológica dos sítios. As variáveis ambientais diferiram espacial e sazonalmente, porém, exibiram correlações fracas com o LCBD. Os resultados indicam que a diversidade beta nos reservatórios semiáridos é fortemente modulada pela sazonalidade e pela substituição de táxons estruturadores, mais do que por singularidade local associada a gradientes ambientais específicos. Estes achados reforçam o papel dos macroinvertebrados como indicadores da dinâmica hidrológica e contribuem para o aprimoramento de estratégias para protocolos de biomonitoramento baseados na diversidade beta, apoiando estratégias de gestão e conservação dos recursos hídricos em ambientes sujeitos à alta variabilidade climática. Dessa forma, a pesquisa promove o preenchimento de lacunas de conhecimento sobre os mecanismos ecológicos que influenciam a biodiversidade aquática no semiárido brasileiro e reforça a importância dos macroinvertebrados bentônicos como ferramentas eficazes para a avaliação da integridade ambiental.

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