Avaliação da pele de Tilápia-do-Nilo (Oreochromis Niloticus) no tratamento de feridas cutâneas exeperimentais em ovinos: avaliação comparativa macroscópica e histopatológica

Moraes, Vitória Maria Cavalcanti de

Resumo

Com o avanço da medicina veterinária e a busca por alternativas que favoreçam a reparação tecidual, torna-se necessária a avaliação de biomateriais eficazes e de baixo custo para o tratamento de feridas cutâneas. Objetivou-se avaliar a eficácia da pele de tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus) como curativo biológico oclusivo em feridas cutâneas experimentais de ovinos. O estudo foi realizado no Hospital Veterinário Adílio Santos de Azevedo, do Instituto Federal da Paraíba, Campus Sousa, utilizando cinco ovinos hígidos. Em cada animal foram confeccionadas três feridas cutâneas em diferentes regiões anatômicas: região do terço médio torácico (parede abdominal lateral), região lombar lateral (região espinhosa) e região da fossa paralombar. As lesões foram identificadas como F1, F2 e F3, correspondendo a cada uma das áreas experimentais. Nos animais 1 e 4, as feridas 1, 2 e 3 foram tratadas, respectivamente, com soro fisiológico, pele de tilápia e Ganadol®. Já nos animais 2 e 5, as feridas 1, 2 e 3 receberam, respectivamente, Ganadol®, soro fisiológico e pele de tilápia. Por sua vez, no animal 3, utilizaram-se pele de tilápia na ferida 1, Ganadol® na ferida 2 e soro fisiológico na ferida 3. As avaliações macroscópicas foram realizadas nos dias 1, 8, 15 e 22 pós-operatórios, observando-se coloração, exsudação, formação de crostas, contração tecidual e crescimento de pelos. Adicionalmente, foram realizadas avaliações histopatológicas pós-operatórias, analisando-se reepitelização, infiltrado inflamatório, angiogênese, proliferação fibroblástica e deposição de colágeno. Macroscopicamente, as feridas tratadas com pele de tilápia apresentaram proteção eficiente do leito lesional, ausência de exsudato, menor acúmulo de contaminantes e aderência prolongada ao tecido receptor. No 15º dia pós-operatório, esse grupo apresentou epitelização mais avançada e crescimento precoce de pelos em comparação aos demais tratamentos. Histopatologicamente, observou-se infiltrado inflamatório predominantemente linfoplasmocitário associado à angiogênese moderada a acentuada, proliferação fibroblástica moderada e deposição de colágeno moderada a acentuada, indicando adequada progressão da fase proliferativa da cicatrização. Embora o grupo tratado com Ganadol® também tenha apresentado intensa atividade reparativa, verificou-se maior participação de macrófagos, eosinófilos e células gigantes multinucleadas, sugerindo resposta inflamatória mais persistente. Ao final do período experimental, todos os tratamentos promoveram reepitelização completa das feridas; entretanto, a pele de tilápia proporcionou melhor organização tecidual, recuperação mais precoce dos anexos cutâneos e aspecto clínico mais semelhante ao tecido íntegro. Conclui-se que a pele de tilápia-do-Nilo constitui uma alternativa promissora para o tratamento de feridas cutâneas em ovinos, favorecendo o reparo tecidual e reduzindo a necessidade de manipulação frequente das lesões.

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