Estresse ocupacional em docentes da educação infantil: aspectos e revisão

Araújo, Kaylane Kelly Santos de
Lucena, Maria Eduarda Araújo de

Resumo

A Educação Infantil configura-se como uma etapa da educação básica que impõe aos docentes múltiplas demandas pedagógicas, emocionais e relacionais, podendo influenciar diretamente suas condições de trabalho e saúde ocupacional. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão narrativa da literatura, os principais fatores associados ao estresse ocupacional em docentes da Educação Infantil, bem como suas repercussões na saúde mental dos profissionais e na qualidade do processo educativo. A pesquisa foi realizada nas bases de dados SciELO e ERIC, contemplando publicações no período de 2020 a 2025. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 15 estudos compuseram a amostra final de análise. Os resultados evidenciaram que o estresse ocupacional e a Síndrome de Burnout em professores da Educação Infantil estão relacionados à interação de fatores individuais, organizacionais e socioculturais. Entre os principais fatores identificados destacam-se a sobrecarga de trabalho, condições inadequadas de infraestrutura, desvalorização profissional, insuficiência de suporte emocional e institucional, além da intensificação das demandas laborais associadas a estereótipos de gênero. Observou-se ainda que o estresse docente exerce impacto direto na qualidade das interações pedagógicas, no planejamento educacional e no clima escolar. A predominância feminina na área também evidencia desigualdades estruturais que contribuem para o aumento do desgaste físico e emocional das profissionais. A análise dos achados demonstra que o adoecimento docente transcende a esfera individual, configurando-se como uma problemática de natureza coletiva e institucional. Dessa forma, políticas públicas voltadas à valorização profissional, à melhoria das condições de trabalho e à implementação de programas de apoio psicológico mostram-se fundamentais para a redução do estresse ocupacional e para a promoção do bem-estar docente. Conclui-se que a compreensão do estresse ocupacional em docentes da Educação Infantil é essencial tanto para a preservação da saúde do trabalhador quanto para a garantia da qualidade da educação, tornando imprescindível o investimento em estratégias institucionais de cuidado e valorização profissional.

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