As práticas ESG e os desastres de Brumadinho e Mariana: uma análise das consequências ambientais, sociais e corporativas no caso da Vale S.A.

Nascimento, Kalyane Lays Oliveira do

Resumo

O presente trabalho aborda as práticas ESG (Environmental, Social and Governance) no setor de mineração brasileiro, com foco na análise dos desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), envolvendo a Vale S.A., visto que tais eventos evidenciaram possíveis lacunas entre o discurso corporativo de sustentabilidade e a efetiva gestão de risco socioambientais. O objetivo geral desta pesquisa foi analisar a evolução e a consistência das práticas ESG da Vale S.A. diante dos desastres, confrontando as estratégias de sustentabilidade declaradas com os impactos ambientais, sociais e corporativos observador nos períodos pré e pós-evento. A metodologia adotada caracterizou-se como pesquisa qualitativa e exploratória, configurou-se como estudo de caso único, com base em revisão bibliográfica e análise documental de relatórios de sustentabilidade, relatórios integrados, formulários de referência e documentos de órgãos de controle, considerando o recorte temporal de 2010 a 2024. Utilizou-se a técnica de Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2016), estruturada nas dimensões ambiental, social e de governança. Os principais resultados demonstram que, no período anterior aos desastres, havia desacoplamento entre o discurso institucional e a integração efetiva da gestão de riscos à estratégia organizacional, especialmente quanto a segurança de barragens, Verificou-se que, após 2019, houve reestruturação da governança corporativa, fortalecimento de comitês, integração de metas ESG à remuneração variável e adoção de medidas como a descaracterização de barragens a montante, indicando maior alinhamento entre discurso e prática. Entretanto, observou-se que tais mudanças foram fortemente impulsionadas por pressões regulatórias, jurídicas e de mercado, evidenciando caráter reativo inicial. Conclui-se que os desastres atuaram como catalisadores institucionais para a consolidação do ESG na empresa analisada, mas também revelaram fragilidades estruturais na cultura organizacional e na gestão de riscos extremos. O estudo contribui para a área da Administração ao reforçar a necessidade de integração efetiva entre governança, sustentabilidade e estratégia empresarial em setores de alto impacto, apresentando como limitação a dependência de dados secundários, o que sugere investigações futuras com abordagens comparativas e quantitativas.

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