Potencial de reciclagem de dormentes de madeira em compósitos cimentícios sustentáveis

Freitas, Maria Eduarda Batista

Resumo

A indústria da construção é responsável pelo consumo de uma parcela significativa dos recursos naturais do planeta e é a maior geradora de resíduos sólidos mundialmente. Paralelamente, milhões de dormentes de madeira nativa nas ferrovias brasileiras são substituídos anualmente e são frequentemente descartados de forma inadequada. Esta prática acarreta riscos ambientais e à saúde pública, agravados pela escassez de literatura consolidada e a ausência de normas específicas para o uso e descarte adequado da madeira tratada na construção civil. Nesse contexto, este trabalho investiga o potencial de incorporação de resíduos de madeira tratada provenientes de dormentes descartados da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), em João Pessoa, em compósito de base cimentícia, por meio da substituição parcial volumétrica da areia em um traço de argamassa. Foi utilizado CP II-F 40 e, como referência, um traço de argamassa 1:3, para a moldagem de 48 amostras com 5%, 10% e 15% de resíduo. Foram avaliadas as propriedades físico-mecânicas como a resistência à compressão axial e à tração na flexão, análise de consistência e trabalhabilidade, além de análise visual macro e microscópica das misturas. Com o estudo verificou-se queda progressiva da resistência dos compósitos contendo mais de 10% de resíduo, sendo T15 o traço que obteve menor desempenho físicomecânico. Além disso, observou-se a queda gradual da densidade aparente com o incremento do teor de fibra, conforme esperado para compósitos cimento-madeira analisados na literatura. Por fim, constatou-se que a faixa ótima do teor de resíduo é ≤ 5% (T5), conferindo aumento da resistência à compressão axial aos 7 dias em 1,28% e de 20,5% aos 28 dias, adicionalmente, a resistência à tração na flexão aumentou 6,4% e 5% aos 7 e 28 dias, respectivamente, em relação ao traço referência (T0). Os resultados sugerem que a incorporação destes resíduos em compósitos representa uma alternativa tecnicamente viável para o reaproveitamento destes passivos ferroviários. Entretanto, estudos complementares de lixiviação e avaliação ambiental são necessários para verificar a segurança do material ao longo de sua vida útil.

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